ABBI – Associação Brasileira de Bioinovação
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28 de junho de 2019

Lançamento da Frente Parlamentar da Bioeconomia reúne principais atores do setor

Políticas públicas que incentivem a inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento econômico são os objetivos da FPBioeconomia.

Todos os setores unidos pelo desenvolvimento de políticas públicas para o avanço da bioeconomia. Assim foi o lançamento da Frente Parlamentar Mista pela Inovação da Bioeconomia, que aconteceu na manhã desta quarta-feira (26) no Congresso Nacional. Além de parlamentares, representantes do Poder Executivo, de empresas públicas e privadas, da academia e da sociedade civil falaram sobre a importância da nova Frente.

“A bioeconomia é um tema amplo, inovador e em desenvolvimento. É uma resposta para um futuro sustentável no qual a sociedade, o meio ambiente e a economia não apenas convivem, como prosperam juntos. Em um país tão grande como o Brasil, é preciso saber utilizar nosso recurso de forma responsável. O caminho da sustentabilidade está justamente na pesquisa avançada voltada à bioeconomia e até hoje não tivemos políticas públicas focadas nesta pauta”, discursou o presidente da FPBioeconomia, deputado federal Paulo Ganime (NOVO/RJ).

fpbioeconomia

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, mencionou o encontro dos ministros de Meio Ambiente do G20, há duas semanas, no Japão, onde, segundo ele, ficou claro a necessidade de investimentos em pesquisa e em desenvolvimento na bioeconomia. “Uma advertência nós temos aqui para o Brasil: embora tenhamos o maior acervo de biodiversidade, uma riqueza gigantesca que fomenta e abre caminhos para que a gente se envolva na bioeconomia, outros países têm tido mais pragmatismo em lidar com o tema”.

Salles ainda foi enfático ao dizer que nenhum país, por mais que tenha uma biodiversidade como a do Brasil, consegue avançar nas pesquisas se não tiver direito ao resultado econômico de seu trabalho. “O incentivo à pesquisa, ao trabalho e ao desenvolvimento precisam sempre ser voltado para a parte da economia. Estes países que estavam no G20 têm avançado muito na parte bio – biogás, biodiversidade, biomassa – assim como o Brasil, mas eles não enfrentam a burocracia que temos aqui. Eles não enfrentam a mentalidade contrária ao lucro do setor privado que, infelizmente, permeiam alguns setores do nosso país”, disse o ministro sobre o maior desafio da Frente.

Segundo a Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), o desenvolvimento do setor no Brasil pode estimular em 20 anos o potencial de instalação de 120 biorrefinarias e a geração de 217 mil postos de trabalho qualificados, representando no mesmo período um volume de investimentos de U$400 milhões e um aumento real do PIB de U$ 160 bilhões. “Não podemos perder esta oportunidade, deixar passar este ‘cavalo selado’. Estão aqui presentes, em abundância no Brasil, este acervo da biodiversidade, os recursos, a quantidade de matéria prima. Nós temos todas as possibilidades”, disse o 1º vice-presidente da FPBioeconomia, deputado federal Alexis Fonteyne (NOVO/SP).

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcos Pereira (PRB/SP), falou sobre os números que a bioeconomia já representa mundialmente. “A bioeconomia já movimenta U$ 2 trilhões no mundo e sabemos que o Brasil, de fato, ainda está atrasado neste tema e vem em boa hora a instalação desta Frente Parlamentar”, pontuou o deputado federal, que também ocupa o cargo de 2º vice-presidente na Câmara dos Deputados da FPBioeconomia.

Brasil pioneiro

A ABBI lembrou do histórico de contribuições que a bioeconomia já vem trazendo para o país – sejam elas vindas do setor privado, da academia ou do setor público. O Brasil desenvolveu há quase 30 anos a biotecnologia para a produção de insulina através de microrganismos. Os bicombustíveis (etanol, biodiesel, biogás) também são produzidos com maestria no país, com empresas de classe mundial que são pioneiras no desenvolvimento de biorrefinarias para a produção de etanol de segunda geração. Foi uma empresa brasileira que desenvolveu o primeiro eucalipto transgênico geneticamente modificado do mundo, voltado para a indústria de papel celulose.

“Não só de promessa de futuro que a bioeconomia brasileira vive. Temos um grande histórico de contribuições para fomentar as inovações, as tecnologias e todos os benefícios que a bioeconomia traz para o Brasil”, explicou o presidente da ABBI, Bernardo Silva.

A 1º vice-presidente no Senado Federal da Frente, senadora Soraya Thronicke (PSL/MT), enfatizou a necessidade do avanço no setor. “Enquanto a China comemorou ano passado 40 anos de abertura de mercado, nós estamos falando em liberalismo agora. O mote deste governo é fazer este país produzir com responsabilidade, com sustentabilidade, mas nós temos que avançar. O futuro é agora, não dá mais para esperar, temos pressa”, disse.

Além dos parlamentares e do ministro do Meio Ambiente, estiveram presentes também representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Movimento Brasil Competitivo, Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e Ministérios da Economia, Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).