ABBI – Associação Brasileira de Bioinovação
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16 de março de 2018

Workshop internacional debate biotecnologia, Indústria 4.0 e fomento à inovação em biomassa

Na foto: Thiago Falda Leite, diretor técnico da ABBI, destacou a biotecnologia industrial como parte da Quarta Revolução Industrial.

FIEMS, 15/03/18 – Os debates do último dia do 1º Workshop Internacional de Inovação em Biomassa, que começou na quarta-feira (14/03) e terminou nesta quinta-feira (15/03), no ISI Biomassa (Instituto Senai de Inovação em Biomassa), em Três Lagoas (MS), giraram em torno de temas como biotecnologia, Indústria 4.0 e fomento de projetos de inovação em biomassa.

Na avaliação da diretora do ISI Biomassa, Carolina Andrade, os debates foram bastante positivos, contribuindo para a geração de inovação. “Tivemos adesão de várias empresas do segmento sucroenergético, papel e celulose, cosmético, químico, elétrico. São empresas que estão interessadas nos processos de transformação de biomassa, seja para gerar energia, seja para gerar novos produtos químicos e que contribuíram para discussões riquíssimas”, afirmou.

O diretor de desenvolvimento tecnológico da CI Biogás, Rafael Gonzales, abriu o ciclo de palestras do último dia de evento, falando sobre o cenário de biogás e biometano no Brasil, principalmente focando no aquecimento do mercado. “Existem polos de produção de biogás e biometano no país, principalmente no Sul e no Centro-Oeste, onde há criação de gado de confinamento, avicultura e suinocultura, fora as agroindústrias. Esse é um mercado que está se aquecendo e quando eu trato isso, eu causo na região um desenvolvimento da economia, porque eu preciso de profissionais nessa área e também tem a questão ciclo-ambiental”, explanou.

Com a palestra “Conversão de Biomassa Lignocelulósica: A Plataforma Bioquímica da Refinaria”, o professor-doutor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Nei Pereira Junior, abordou as biorrefinarias com base em biomassa residual. “A indústria química hoje usa petróleo, nós propomos o uso de material renovável. Poderia hoje produzir virtualmente a partir da biomassa tudo o que já é produzido usando o material fóssil. Posso produzir essas moléculas todas em nível de commodities sem usar petróleo”, ressaltou.

O diretor técnico da ABBI (Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial), Thiago Falda Leite, destacou a biotecnologia como parte da quarta revolução industrial. “Quatro eventos são propiciaram a quarta revolução industrial: aumento do número de dados, surgimento de análises e novos processos de negócios, novas formas de interação entre seres humanos e máquinas e melhoria das transferências das informações digitais para essas máquinas. Com todas essas tendências ocorrendo simultaneamente, a biotecnologia tem capacidade de gerar quantidade absurda de dados”, argumentou.

Para debater o fomento a projetos de inovação, o gerente de tecnologia e inovação do Departamento Nacional do Senai, Fábio Pires, apresentou como fazer a interação entre grandes empresas e startups, destacando o Edital Senai de Inovação. “É importante que a grande empresa comece a olhar para a pequena como agente de inovação externo. Hoje o Edital de Inovação, que existe desde 2004, é o único instrumento que conecta essa grande empresa com as startups numa tecnologia não madura ou um conceito inicial do projeto”, afirmou.

Abordando o mesmo tema, o diretor de operações da Embrapii, Carlos Eduardo Pereira, pontuou as instituições credenciados pela instituição. “A Embrapii tem recursos para investir em inovação, mas primeiro é necessário haver uma demanda da indústria, procurando tornar a indústria mais competitiva. Nós existimos para fazer a ponte entre academia e empresa, mas sempre olhando o viés da demanda da empresa”, finalizou.

Repercussão

Na avaliação do diretor de inovação da Fibria, Fernando Bertolucci, o workshop foi bastante interessante principalmente por tratar das várias formas de aplicação da biomassa. “Acho que a grande vantagem é oportunizar esse tipo de discussão. O Brasil tem uma vocação natural de produção de biomassa e precisamos gerar mais valor a partir dessa biomassa. Um evento desses disponibiliza discussões extremamente interessantes para que a gente transforme essa biomassa”, considerou.

O coordenador de Biotecnologia da GranBio, Osmar Netto, o evento promoveu uma ampla discussão sobre as diferentes formas de uso da biomassa. “Acho que foi extremamente produtivo. Nossa empresa já tem projetos em parceria com o Senai e acredito que, depois de ver as possibilidades de fomento à inovação nas indústrias, poderemos desenvolver outras parcerias, especialmente com o ISI Biomassa, que tem uma excelente infraestrutura”, reforçou.

Sócia da Hana Biocosméticos, Alane Beatriz Vermelho, comentou com o projeto que a empresa pretende desenvolver em parceria com o ISI Biomassa. “Já conhecemos a atuação do Insitituto e estamos trabalhando em conjunto em um  projeto de hidrolisados de proteína para cosmético capilar. Aproveitamos esse contato com o ISI para participar do workshop e acho que foi uma experiência muito rica”, concluiu.

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